Roberto Rodrigues de Menezes.

Roberto Rodrigues de Menezes



segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Segundo Tenente Ivan Leal da Silveira.

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20 de janeiro de 1971. Ivan e Rosely casam-se na Igreja Nossa Senhora de Fátima do Estreito, parte continental de Florianópolis. Carreira promissora de oficial da Polícia Militar catarinense e um amor muito grande que terrível tragédia iria fazer terminar um ano e sete meses depois.
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Ingressei na Polícia Militar como aluno oficial exatamente um ano depois do aluno Ivan, em 1967. Lembro-me que nesta época eu era meio arredio em ir à missa, como a arrasadora maioria dos jovens, até porque nesta idade a realidade na qual menos se pensa é a morte. Para o jovem, a mórbida madona é preocupação de velho. Minha mãe, muito atenta aos nossos deveres religiosos, me exigia que, depois da missa, eu lhe dissesse a cor dos paramentos do padre e o que ele disse no sermão. Muitas vezes eu ficava até o fim de sermão e saía, pois já estava de posse das duas informações. Espero que nenhum abelhudo vá contar isso para dona Ione agora, até porque só fiz isso naquela época mesmo. Mas, voltando ao assunto que nos traz aqui hoje, nessas ocasiões, na igreja Nossa Senhora de Fátima, exatamente na que Ivan casou com Rosely e eu com Sílvia, via chegar ele e a namorada, ela uma lourinha bonita, para a missa. Cumprimentava os dois e algumas vezes assisti ao ofício religioso ao lado deles. E isso se repetiu em muitos domingos.
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Esta é a casa dos pais de Rosely, na Avenida Santa Catarina, Balneário do Estreito, na época em que Ivan era aluno oficial. Ali ele pediu permissão para namorá-la.
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Rosely Wanderley Manfiolete nasceu no Rio de Janeiro no dia 02 de Setembro de 1952. Era filha do sargento da Marinha José Manfiolete e de Dona Maria Luzinete (Nete) Wanderley Manfiolete. Esta senhora vive ainda de lembranças na mesma casa, com 83 anos. Atendeu-me com muita cortesia e me disponibilizou fotos e documentos que possibilitaram este resgate da memória de um jovem que tinha tudo para ser um grande oficial.
Ivan Leal da Silveira nasceu em Lagoa Vermelha, Rio Grande do Sul, no dia 13 de maio de 1949. Filho de Abílio Paim da Silveira e de dona Geni Leal da Silveira. Hoje dona Geni, viúva, mora em Curitiba.
Na foto, Rosely com 15 anos e Ivan com 18, aluno oficial 52 do Curso Preparatório ao Curso de Formação de oficiais (CP-CFO). Ele incluiu na Corporação em Março de 1966 quando ainda tinha 17 anos. Namorou Rosely no segundo semestre daquele ano.
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A foto da esquerda (18-02-68) foi batida na casa dos pais da namorada. Dona Nete, Ivan e Rosely. À direita Ivan em foto de Abril de 1967, um mês antes de receber o espadim.
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Sandra, irmã de Ivan, desfilando no Clube Concórdia em Porto União, norte de Santa Catarina (12-12-68). Parece que o colega Nery tinha uma quedinha por ela (Olha, Nery, não me mata!...)*************************
05 de Maio de 1967. Ivan no baile do Espadim, no Clube 12 de Agosto, centro de Florianópolis. Está com Rosely e à direita a irmã de criação desta, Rosalina, de apelido Sueli, dois anos mais nova.
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Ivan e Rosely dançando neste baile. O aluno oficial Nery dos Santos, da turma do Ivan e hoje coronel da reserva, posa ao lado de Rosalina. O que será que ele viu de tão engraçado?...
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12 de Dezembro de 1969. Formatura da Turma Tenente Trindade. Da esquerda para a direita o senhor José Manfiolete, pai de Rosely, seu Abílio e dona Geni, pais do Aspirante-a-Oficial Ivan, mais a namorada Rosely.
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20 de Janeiro de 1971. Casamento de Ivan e Rosely. À frente da guarda de honra os segundos tenentes João Batista Cordeiro e José Carlos Chierighini. Este e a esposa Maria foram testemunhas do enlace.
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O padre Aquilino dos Santos realizou o casamento.
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Ivan e Rosely tiram fotos após a cerimônia religiosa.
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Saindo da igreja em meio ao tilintar das espadas dos colegas.
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No carro que os levará ao almoço na Churrascaria Riosulense do Estreito.
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Abílio, Geni, Ivan, Rosely, Nete e José.
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Após a festa, prontos para a lua-de-mel.
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O Aspirante Ivan fez seu estágio no Centro de Ensino da Trindade. Foi promovido a Segundo tenente no dia 04 de Agosto de 1970.
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E chegou o fatídico 13 de Agosto de 1972 (dia dos pais naquele ano). Na volta de São Paulo, onde Rosely fora ao médico, Ivan dirigia seu fusca. Ao lado dele a esposa, no banco de trás seu José, o sogro, e Nivaldo de dezesseis anos, irmão de Rosely. Eles estavam na rodovia Régis Bittencourt, município de Miracatu, a 129 quilômetros ao sul de São Paulo. Retornavam a Floripa e era noite com neblina. Uma ultrapassagem mal sucedida joga o carro de Ivan debaixo de um caminhão Scania de Irati, RS, que ia para São Paulo com uma carga de madeira. Ele, seu José e Nivaldo morrem na hora. Rosely sobrevive, mas fica em estado gravíssimo. Perdera todos os dentes e um profundo corte no calcanhar, quase esmagado, não mais fariam com que ela voltasse a ter vida normal.
Calcule-se a dor de dona Nete e da mana Rosalina, que tinham ficado em casa e os esperavam.
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Os três foram sepultados no cemitério de Itacorubi, na ilha. Tempos depois, os restos mortais de Ivan foram transladados pela família para Curitiba.
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Rosely fizera o curso Normal no Colégio Coração de Jesus. Após o acidente, viúva, mesmo com muita dificuldade, conseguiu se formar em Serviço Social, na Universidade Federal de Santa Catarina.
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11 de maio de 1979. Rosely, que apresentava continuamente sequelas do acidente, sendo sempre submetida a medicação forte, foi encontrada agonizante em seu quarto na mesma casa dos pais. Estava maquiada e vestida como se fosse sair. Ainda tentaram levá-la ao Hospital São Sebastião, no centro de Floripa, onde se tratava, mas não adiantou. Ela já tinha falecido de parada cardíaca. Terminava assim, quase sete anos depois, a vida do último remanescente da tragédia de Miracatu. A moça deixou a vida com 27 anos. O marido morrera aos 23.
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Dona Luzinete (Nete) hoje. Com muita boa vontade e saudade atendeu-me em sua casa. Já não relembra tão bem os eventos que tanto infelicitaram sua vida, pois perdeu de uma só vez o marido, filho e genro, e a filha depois de sete anos.
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Outubro de 2010. A mesma casa em que Ivan namorou Rosely. Nela vive dona Nete com uma moça que dela cuida. A família (irmãos, sobrinhos) a visita com frequência.
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Desejo aqui, para terminar, expressar um preito de gratidão ao Coronel Freddy Harry Schauffert, Comandante das lides do ensino e formação na PM catarinense. Ele foi quem primeiro, com sua bicicleta, foi visitar Dona Nete e a colocou a par de meu projeto. Depois me avisou e marcamos um encontro na casa dela. No entanto, devido a uma reunião no comando ele não pôde comparecer, mas já me tinha aberto as portas com sua extrema boa vontade e gentileza. O trabalho que realizo neste blog, confesso aos senhores que por vezes se revela muito difícil devido às dificuldades que tenho para obter dados e principalmente boa vontade. Mas o coronel Schauffert não deixa por menos. Sempre me atendeu com muito interesse e viva atenção, motivo pelo qual posso dizer que esta postagem somente se tornou possível em razão de sua colaboração inestimável. Obrigado, coronel Schauffert!
Agradeço também ao coronel João César Pastoris Formighieri e aos tenentes coronéis Piraguaí Dias Ferraz e José Carlos Chierighini, todos da Reserva, pelas informações e auxílio. Os três são também da turma Tenente Trindade, oficial da Esquadrilha da Fumaça que faleceu em acidente aqui em Florianópolis, quando se apresentava nos céus da capital com seus companheiros. Sobre este fato o coronel Schauffert compareceu neste blog em 12 de Setembro com a história triste do jovem oficial da Aeronáutica.
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13 comentários:

  1. Boa tarde. É uma história muito comovente desse jovem oficial, que tinha uma carreira brilhante e estupidamente sua vida e dos demais foram ceifadas de uma hora para outra. Quando sofrimento Dona Nete passou, é provavelmente uma mulher de fibra para aguentar tantos dissabores que o destino lhe reservou. Realmente não sabemos o dia de amanhã, nem ao menos os segundos a seguir. Aproveitar cada instante é fundamental para todos nós.
    Abraços

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  3. parabens pela postagem reelembrando uma historia de vida. eu sou ivan filho e adorava esta senhora que agora acaba de falecer,dia 29/12/2011 e enterrada dia 30/12/2011 saudades eterna de Dona Nete como carinhosamente era chamada.
    Ivan filho

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  4. Tia Nete levou o amor e carinho dos agregados, estranhos que lhe amaram até seu último momento. Mais a maior trizteza de sua vida, deve ter sido ao ter sua casa invadida, revirada, fotografada, janelas esgaçadas...com policiais na porta (o que nunca ocorreu em sua vida!), enquanto seu pequeno corpo e coração enorme esperava para ser sepultado...que seria as 10hs, porem com a invasão só foi ocorrer depois das 12,já que esperavamos pelas pessoas que a amaram de verdade; sem interesse em bens materias.FOI MUITO TRISTE!!

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  5. Comovente a história de vida de tia Nete, que Deus a receba juntamente com os familiares que se encontram na casa do Pai eterno.
    Muito grata ao Oficial da reserva Sr. RRM pela gratidão ao registrar a vida tia Nete.

    Wanda wanderley Honda

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  6. Felizes aqueles que participaram da vida desta mulher sensacional, que puderam conviver e aprender com ela, herdando seu imenso coração! É com enorme pesar que viemos hj expressar nossa eterna saudade e gratidão... Da sua família de coração Edson, Mary, Edinho, Neto, Tati, Rose, Dionísio e Edizio...
    “Seja sempre alguém pra alguém”

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  7. Sempre lembrarei da Tia Nete, tive oportunidade conhece-la pessoalmente, hoje sinto muita saudade! Quando crianca o meus Pais (Flavia Wanderley e Aureo Cabral), sempre comentavam a respeito da historia de vida dessa minha Tia, tentava entender e nao conseguia. Somente aos longos dos meus 23a que tive aportunidade de conhecer indo passar alguns dias em sua casa, entre outras visitas apos ter casado com Adrina Cadore (Brusquense). Honorio Henrique (Netinho)

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  8. Sempre lebrarei da Tia Nete.... Saudades! Quando era crianca sempre meus Pais (Flavia Wanderley e Aureo Cabral) falavam da historia de vida dessa minha Tia, nao conseguia entender. Somente aos meus 23a que tive oportunidade de conhece-la pessoalmente e sentir o amor que Ela tinha pela Familia, mesmo com todas as circunstancia da vida. Falava de forma saudosa dos familiares..... Que saudades Tia Nete. Honorio Henrique (Netinho)

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  9. A dona Nete foi velada como sempre viveu desde o falecimento de sua filha Rosely: rodeada pelos amigos. Consanguíneos???? Enquanto seu corpo jazia na capela, sua casa em Estreito era invadida, conforme afirma o Anônimo acima. Quando era sepultada, sua casa de praia também era invadida.Amigo Anônimo, o sepultamento atrasou não para aguardar as pessoas que a amaram de verdade, pois estas já estavam com ela há muito. Adeus Nete, obrigado por tudo...

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  10. MINHA GENTE... A HISTORIA POSTADA ACIMA, FOI NARRADA COM O INTUITO DE HOMENAGEAR MEMBROS DE UMA 'FAMÍLIA', QUE TIVERAM SUAS VIDAS INTERROMPIDAS. NÃO SE TRATA DE UM BLOG DE DISCUSSÕES, (ONDE PESSOAS MÉDIAS LAVAM SUAS ROUPAS SUJAS). DEIXEM A FALECIDA SENHORA DESCANSAR EM PAZ COM SEUS ENTES QUERIDOS, JÁ NÃO BASTA TANTO SOFRIMENTO SENTIDO POR ELA DURANTE METADE DE SUA VIDA! PARA OS QUE FICAM, OU MELHOR, AQUELES QUE A USURPARAM NESSES 30 ANOS, PAREM DE UTILIZAR ESSE CANAL PARA EXPOR SEUS LAMENTOS FINANCEIROS... "ISSO É RIDÍCULO"

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  11. CONCORDO PLENAMENTE.... ATITUDES ESTAO SENDO TOMADAS PELOS FAMILIARES. QUE A PAZ REINE NOS CORACOES DE TODOS.

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  12. sou filha de nivaldo fraga wanderley,irmão de maria lusinete manfiolete, a quem o mesmo nome da minha tia foi dado a mim pelo meu pai como retribuição do amor e do carinho que ela tinha pelo meu pai que foi dado ao filho dela o mesmo nome nivaldo,morei com ela 2 anos e 6 meses eu a amava mais ñ tive o direito nem a consideração de saber da sua morte, soube muito depois fiquei chocada pois existem pessoas que ñ tem amor muito menos coração.mais oque me consola falei com ela dias antes de sua morte desejo que ela tenha muita luz pois ela foi um ser iluminado.(nete wanderley) roberto menezes agradeço por ter feito uma homenagem a minha familia...

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  13. Olá, meu nobre amigo Roberto Menezes, sou Eustáquio Pereira Wanderley mais conhecido como Radialista e Jornalista Pierry Filho aqui do maranhão.
    Vejo que você fez um resgate profundo da história dos famíliares de tia Nete, fico muito feliz por saber um pouco de sua trajetória de vida, não tive a oportunida de conhecê-la pessoalmente, mais creci ouvindo meu pai contar a sua história de vida, meu pai Nivardo Fraga Wanderley, eles se amavam muito.
    Me sinto triste neste momento, por tudo que está acontecendo .

    email: radioportofrancofmonline.com
    www.portofrancofmonline.com

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