Roberto Rodrigues de Menezes.

Roberto Rodrigues de Menezes



quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

A perseguição religiosa na era Stalin.

Joseph Stalin (Gori 1878 - Moscou 1953). Governou a União Soviética desde 1927 até a morte. Foi chamado "Guia genial dos povos" e "Pai dos povos". O segundo maior genocida do século vinte, somente derrotado por Mao-Tse-Tung em número de mortos. Hitler foi medalha de bronze.
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A PERSEGUIÇÃO RELIGIOSA NA ERA STALIN.
  • Os homens do clero não eram bem-vindos na sociedade socialista do homem novo. Os anos de 1929-30 viram se desenvolver, após a primeira de 1918-1922, a segunda grande ofensiva do estado soviético contra a igreja.
A Igreja Ortodoxa, apesar das perseguições, continuava forte na sua tradição russa milenar. O sucessor do patriarca Thikon, o metropolita Serge, fez (ou foi obrigado a fazer), declaração de fidelidade ao Estado, com o que não concordaram milhares de religiosos. Era uma intromissão indevida.
Dos 54.692 templos, apesar de tudo, cerca de 39.000 ainda estavam abertos no início de 1929 (Timasheff - Religion in Soviet Russia - Londres - 1943).
Emelian Yaroslavski, presidente da Liga dos Sem-Deus, com a simpatia do governo bolchevique, reconhecia entristecido que um número muito pequeno de pessoas havia "rompido" com a religião.
A ofensiva anti-religiosa de 1929-30 desenvolveu-se em duas etapas. A primeira, na primavera e no verão de 1929, foi marcada pela reativação da legislação anti-religiosa dos anos 1918-22, obra de Lênin. Em 08 de abril de 1929 foi promulgado um decreto que acentuava o controle das autoridades locais sobre a vida das paróquias e acrescentou novas restrições às atividades religiosas
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Molotov, Stalin e Nicolai Yezshov (à direita) passeiam alegres. Este último era o chefe da temida NKVD, futura KGB, polícia política e consciência moral do regime. Yezshov participou ativamente dos expurgos stalinistas. Mas não contava com alguém chamado Lavrenti Beria, que o fez declarar-se culpado de uma conspiração contra Stalin. Yeshov, nascido em 1895, foi executado a tiros em 1940. Beria, anos mais tarde, provaria de seu próprio veneno. Dificilmente um assessor de Stalin sobreviveu a ele. Stalin, ex-seminarista ortodoxo, voltou toda a sua fúria contra a igreja russa. 



Depois da  execução de Yezhov, a foto foi retocada pelos censores. Era pouco somente a execução física.
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A alínea 10 do artigo 58 do Código Penal Soviético estipulava que "toda a utilização dos preconceitos religiosos das massas, que vise a enfraquecer o Estado, era passível de uma pena de três anos de detenção até a pena de morte".
Em 26 de agosto de 1929, o governo instituiu a semana do trabalho contínuo de cinco dias (cinco dias de trabalho, um de repouso), que eliminava o domingo como dia de repouso comum. Essa medida deveria facilitar a "luta" pela erradicação da religião. (Em outubro de 1929 foi ordenada a apreensão dos sinos das igrejas com a justificativa: "O som dos sinos infringe o direito ao repouso das grandes massas da cidade e do campo".
Os adeptos dos cultos foram sobrecarregados de impostos; a taxação dos popes (sacerdotes) decuplicou entre 1928-30, sendo privados de seus direitos civis (cartões de racionamento, comida, e principalmente assistência médica).
A prisão e a deportação de religiosos passou a ser prática comum. Em muitos povoados e burgos os templos foram fechados por absoluta impossibilidade de mantê-los, em razão da legislação. Mas, 14% das sublevações camponesas da época tiveram como causa o fechamento dos templos e a apreensão dos sinos.
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Os dois grandes tumores do século 20. Um está morto. O outro, apesar da ideologia defunta, subsiste heroicamente. **********************************
A campanha anti-religiosa atingiu o seu apogeu durante o inverno de 1929-30. Em março de 1930, 6.715 igrejas haviam sido fechadas ou destruídas. Ao longo dos anos seguintes a perseguição continuou, agora "administrativa". A famosa alínea 10 dava motivo a interpretações as mais disparatadas: vetustez ou estado anti-sanitário das edificações religiosas, falta de cobertura de seguro, não pagamento de impostos e taxas, tornados exorbitantes.
 

Jesus Cristo foi expulso da União Soviética pelo totalitarismo comunista. Hoje alguns comunistas o toleram.
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Privados dos seus direitos civis, do magistério com que ganhavam a vida (as escolas confessionais foram fechadas e proibidas), impedidos de ingressar no serviço público, tributados de maneira abusiva, declarados "elementos parasitas vivendo de fontes de renda não assalariadas", muitos, ou desistiam, ou tornavam-se popes errantes, levando vida clandestina à margem da sociedade. Desenvolveram-se assim movimentos cismáticos, em oposição à política de fidelidade ao poder soviético do metropolita Serge, principalmente nas províncias de Voronezh e Tambov. Os fiéis de Alexei Bui, bispo de Voronezh, preso em 1929, organizavam-se em uma igreja autônoma, a "Verdadeira igreja ortodoxa", com clero próprio, frequentemente errante, ordenado fora da igreja patriarcal submissa a Stalin. Os membros dessa "igreja do deserto" se reuniam para rezar em residências, eremitérios, grotas. Vários milhares deles foram presos, considerados kulacks (camponeses com propriedade - ter propriedade era um crime) e enviados a campos de concentração ou "reeducação", os gulags, tão desconhecidos quanto são conhecidos os campos nazistas.. ****************************** 


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Apesar de tudo, um recenseamento de 1937, embora anulado pelo regime, mostrava que 70% dos adultos continuavam a se dizer crentes. Em abril de 1936 não restavam mais do que 15.835 igrejaa ortodoxas em atividade (28% dos templos de antes da revolução) e algumas dezenas de igrejas católicas e protestantes. Quanto ao número registrado de religiosos, não era mais do que 17.857 em 1936, contra 112.629 em 1914 e cerca de 70.000 em 1928.
O clero não era nada mais, para usar uma fórmula burocrático-soviético-oficial, do que um RESQUÍCIO DE CLASSES MORIBUNDAS.
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Galeria de Genocidas do século Vinte.
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(Flechter - L'eglise clandestine in URSS - Paris - Edição Moreau - 1971).
(O livro negro do comunismo - Centro Nacional de Pesquisa Científica de Paris - França).
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Um comentário:

  1. Ter propriedade na União Soviética naquela epoca era um crime? Que curioso...

    Até aonde eu sei, Kulacks era o termo q os soviéticos usavam para designar grandes litifundiários q sabotavam as comunas agricolas...

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